O ALHO
Ao contrário de Richard Dawkins e muitos outros seus pares, ou primos ou espertos (bright), como se queiram qualificar, felizmente acredito que uma inteligência muito superior - à dele e de muitos outros - foi Quem criou tudo o que nos é dado perceber, quer num olhar simples e comum, quer em análises mais científicas, sérias e desprovidas de preconceitos.
Certamente não poderei provar a Sua existência, mais do que já tem sido tentado, pelo menos, desde há 2000 e tal anos atrás. Admito que são certezas baseadas numa posição de fé, que não se prova mas se sente, tal qual um presságio de bom augúrio, tirado das palavras que permaneceram, vivas e actuais, desde a Origem.
Mas também não se tem conseguido cimentar essa outra religião, que dita ser a humanidade, por um lado absoluta na sua proposta de ciência, enquanto que, ao mesmo tempo, teimosamente afirma como facto sermos uma espécie biológicamente comum e vazia de qualquer sobrenaturalidade. Absurdo Contra-senso.
Vamos ao que interessa, vamos ao alho.
Ciência ou não, diria que este bolbo da natureza foi criado... sim criado e não proveniente de mutação por selecção natural evolutiva, para nutrir laços estreitos de amizade com o homem.
Hoje sabe-se que o alho, planta bolbosa da família das Liliáceas, de cheiro forte característico, espontânea ou de cultura, muito utilizada como condimento em culinária, tem tantas propriedades curativas que chega a merecer o título de panaceia.
Pica na língua quando provado cru. Amigo que cura com ardor. Tomado de manhã, de estômago vazio, causa náusea e desconforto. Eu sei porque já experimentei. Agora limito-me a encontrá-lo à hora do almoço ou do jantar.
É claro que, como amigo forte e fiél, a sua essência permanece longas e indescritíveis horas, a não ser que se tome esse outro néctar demiurgo, o cafézinho, substância rica em antioxidantes, os polifenois, mais uma maravilhosa descoberta da ciência.
É raro ouvir-se; Mãe! O Zézinho quer alho na sopa! Se bem que ele o pense noutro contexto, seria bom acostumar os pequerruchos ao encontro regular com esse amigo do peito. Mais tarde, já no último piso da casa dos cinquenta, derramarão sentidos e vigorosos agradecimentos, sempre que os exames regulares, ao colesterol e pressão sanguínea, se revelarem normais.
Como vivemos neste quintal à beira mar plantado, que no Inverno se transforma em frigorífico a meio gás, qual enjôo de nem temperatura ambiente nem frio ártico, em certas regiões com uma humidade de por os ossos a pingar, o amigo alho pode e quer dar-nos uma mão (que no seu caso é um dente, ou dois) e ajudar-nos a atravessar o período com vivas e rosadas cores.
Conclusão desta diatribe em tom menor; assim como o alho é amigo desconfortável, a quem devemos favores e agradecimentos, por nos proteger das vicissitudes orgânicas, também os melhores amigos, são aqueles que nos guardam com solicitude, mesmo que os sintamos, às vezes desconcertantes e mal cheirosos.
Autor: Missionário João Rodrigues
AMAVIDA Produções
2010.11.19




