20100905

O Travesseiro


O Travesseiro (adaptado)

Algumas pessoas são como cabras.

Soltam balidos!

Estão sempre com o "mééé" na boca!

Sempre que algo é dito, que não querem aceitar, lá vai um "mééé" outra vez.

Mesmo quando esse algo é a verdade, começam logo a mééé, mééé, mééé! - Tal e qual uma cabra.

"Gosto do que estás a fazer, mééé..."
"Ele é simpático, mééé..."
"Sim, eu sei, mééé..."

Era uma vez uma mulher muito "mééé," que não aceitava o que um seu amigo lhe dizia.

Um dia, o que lhe disse foi mais do que conseguiu aguentar.

Era verdade, "mééé," ficou tão zangada que começou a "balir" a torto e a direito.

Começou a espalhar histórias ácerca dele e tentou, o mais possível, que os amigos comuns se virassem contra ele, com as suas histórias e mexericos.

Mas quanto mais falava mais triste ficava.

Passado algum tempo, começou a sentir pena de todas as mentiras que tinha contado.

Finalmente, em lágrimas, foi até a casa do amigo para lhe pedir perdão.

"Espalhei muitas mentiras ácerca de ti," disse ela, "por favor perdoa-me."

O amigo ficou em silêncio durante algum tempo. Parecia estar imerso em seus pensamentos.

Depois disse: "Sim, perdôo-te, mas primeiro tens que me fazer uma coisa."

"O que queres que te faça?" perguntou, algo surpreendida.

"Vem comigo até o telhado, que te mostro," disse ele, olhos nos olhos, "mas primeiro vou buscar uma coisa ao meu quarto."

Quando voltou, o seu amigo trazia um grande travesseiro de penas, debaixo do braço.

A mulher mal conseguia esconder a sua surpresa e crescente curiosidade.

Atrapalhada, mal se contia em lhe perguntar para que era o travesseiro e porque estavam a subir ao telhado.

Finalmente, já sem fôlego, chegaram ao telhado.

O vento soprava suavemente através do grande espaço aberto. Do telhado, a visão estendia-se ao horizonte, para além da cidade.

De repente, sem nada dizer, o amigo rasgou o travesseiro e atirou as penas ao vento.

O vento levou as penas para toda a parte;

Para outros telhados, para as ruas, em cima dos carros, nas árvores, nos quintais onde as crianças brincavam, para a auto-estrada, e assim por diante, cada vez mais longe.

Os dois olharam as penas flutuar durante algum tempo. Então ele virou-se para a mulher e disse; "Agora quero que vás recolher as penas todas e mas tragas aqui."

"Recolher todas as penas?" Com um suspiro disse; "É impossível!"

"Sim, eu sei," disse o amigo. "As penas são como as tuas mentiras sobre mim. O que começaste, não podes parar, mesmo que estejas arrependida.

Talvez consigas dizer a algumas pessoas que foram mentiras o que disseste de mim, mas os ventos da bisbilhotice espalharam-nas por toda a parte.

Pode-se apagar um fósforo, mas não se pode apagar um grande fogo na floresta, ateado por um fósforo!

"Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia." (Tiago 3:5)

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