O Travesseiro (adaptado)
Algumas pessoas são como cabras.
Soltam balidos!
Estão sempre com o "mééé" na boca!
Sempre que algo é dito, que não querem aceitar, lá vai um "mééé" outra vez.
Mesmo quando esse algo é a verdade, começam logo a mééé, mééé, mééé! - Tal e qual uma cabra.
"Gosto do que estás a fazer, mééé..."
"Ele é simpático, mééé..."
"Sim, eu sei, mééé..."
Era uma vez uma mulher muito "mééé," que não aceitava o que um seu amigo lhe dizia.
Um dia, o que lhe disse foi mais do que conseguiu aguentar.
Era verdade, "mééé," ficou tão zangada que começou a "balir" a torto e a direito.
Começou a espalhar histórias ácerca dele e tentou, o mais possível, que os amigos comuns se virassem contra ele, com as suas histórias e mexericos.
Mas quanto mais falava mais triste ficava.
Passado algum tempo, começou a sentir pena de todas as mentiras que tinha contado.
Finalmente, em lágrimas, foi até a casa do amigo para lhe pedir perdão.
"Espalhei muitas mentiras ácerca de ti," disse ela, "por favor perdoa-me."
O amigo ficou em silêncio durante algum tempo. Parecia estar imerso em seus pensamentos.
Depois disse: "Sim, perdôo-te, mas primeiro tens que me fazer uma coisa."
"O que queres que te faça?" perguntou, algo surpreendida.
"Vem comigo até o telhado, que te mostro," disse ele, olhos nos olhos, "mas primeiro vou buscar uma coisa ao meu quarto."
Quando voltou, o seu amigo trazia um grande travesseiro de penas, debaixo do braço.
A mulher mal conseguia esconder a sua surpresa e crescente curiosidade.
Atrapalhada, mal se contia em lhe perguntar para que era o travesseiro e porque estavam a subir ao telhado.
Finalmente, já sem fôlego, chegaram ao telhado.
O vento soprava suavemente através do grande espaço aberto. Do telhado, a visão estendia-se ao horizonte, para além da cidade.
De repente, sem nada dizer, o amigo rasgou o travesseiro e atirou as penas ao vento.
O vento levou as penas para toda a parte;
Para outros telhados, para as ruas, em cima dos carros, nas árvores, nos quintais onde as crianças brincavam, para a auto-estrada, e assim por diante, cada vez mais longe.
Os dois olharam as penas flutuar durante algum tempo. Então ele virou-se para a mulher e disse; "Agora quero que vás recolher as penas todas e mas tragas aqui."
"Recolher todas as penas?" Com um suspiro disse; "É impossível!"
"Sim, eu sei," disse o amigo. "As penas são como as tuas mentiras sobre mim. O que começaste, não podes parar, mesmo que estejas arrependida.
Talvez consigas dizer a algumas pessoas que foram mentiras o que disseste de mim, mas os ventos da bisbilhotice espalharam-nas por toda a parte.
Pode-se apagar um fósforo, mas não se pode apagar um grande fogo na floresta, ateado por um fósforo!
"Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia." (Tiago 3:5)
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